Neste nosso país, com grande dimensão continental, existem ainda, pela facilidade de aquisição de terra, grandes latifundiários. Infelizmente a sua maioria, quando utiliza a terra para agricultura, trata o homem do campo como se estivesse na época da escravidão. O trabalhador rural não é valorizado e suas colheitas tornam-se lucrativas, somente para a classe intermediária que faz a venda do produto.

Fatores negativos que cercam o meio rural, como o transporte, os meios de comunicação, irrigação e energia, tornando alguns dificultadores para a fixação do homem no campo, o meio urbano atraí pelos bens de consumo, que pode proporcionar, tornando ilusória uma melhor qualidade de vida.

A luta para a fixação do homem no campo tem sido árdua. Caso não seja implantada uma reforma agrária bem estruturada, os “sem terra” jamais conseguirão fixar-se no meio rural, se não tiverem orientação, financiamento e treinamento suficiente para sua permanência no campo. Não adianta dar terra se não há produção. Os frutos da colheita virão se houver vontade dos “assentados” e do governo. Existem muitas pessoas da cidade reivindicando seu pedaço de terra, mas de que adianta uma pessoa com perfil urbana querer fixar-se no meio rural sem que haja conhecimento do cultivo da terra.

Além de todo um processo de “assentamento”, há de se pensar numa forma de tornar atrativa a fixação do homem no campo, como emprego e consequente melhoria de qualidade de vida, no que tange ao conforto material, dando a essa gente esperança para dias melhores juntamente com suas famílias. Caso medidas concretas não se realizem em curto prazo, continuaremos a ver lastrar cada dia mais favelas, cortiços e aglomerados na miséria dos grandes centros urbanos.

O objetivo dos movimentos existentes no país tende a parecer que o caminho não é deixar o campo e aqueles que já saíram retornarem, procurando uma vida melhor. “Vir morar debaixo da ponte ou nas favelas”, essa gente com certeza estará na contra mão de um processo de integração no meio rural, desencadeando ainda mais a miséria e a fome.

 

Jornalista: Agnaldo Moreira

 

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