Deparamo-nos hoje com um jornalismo distorcido, talvez pelo destino capitalista a que se submeteram tais profissionais. Todo jornalista deveria estar disposto a tentar certas posturas as quais, hoje em dia, podemos chamar de habilidades, para que não fosse preciso ditar leis e impor castigos, e nada mais fosse preciso além de seguir seu próprio bom senso, sua capacidade de exercer o código de ética e passar a tê-lo como guia do bom jornalismo sem ultrapassar limites vitais para a boa relação desta profissão com a sociedade em que atua.

Segundo o jornalista Cláudio Abramo, não existe uma ética específica do jornalismo, sua ética é a mesma do cidadão. Mas defendo aqui a idéia de que ética pessoal supre as necessidades da ética profissional tanto do jornalista quanto de qualquer outro profissional. O jornalista tem que ter humildade, não se achar “Deus” porque existem alguns que se sentem assim.Tem que transmitir a notícia o mais perto possível da veracidade do fato; ser grandioso ao admitir os altos e baixos na profissão, entre outras idéias supostas.

Podemos entender por ética como aquilo adquirido desde criança e o passar dos anos. É algo que se constrói com bom senso e respeito pela existência de outras vidas e opiniões, pela capacidade de viver em sociedade e de relacionamento humano.

Ao referirmos a Samuel Wainer e “suas memórias” (o livro) percebemos o heroísmo magistral de sua  vida profissional, não podendo deixar de observar que também há uma questão problemática no jornalismo.

Podemos citar como exemplo, apesar da complexidade da ética: que os que lidam com a redação diária da informação acham: que sempre têm razão; possuem justificativas morais que trazem benefícios ao bem comum; estão dando o melhor de si ou que o mundo é assim mesmo

Seja pela paixão ou técnica, o uso do bom senso ou a execução da lei, o jornalismo exerce o poder da palavra sobre uma pessoa, sobre uma nação. É preciso ter paixão para contagiar uma nação com a palavra escrita, falada ou fotografada. É preciso ter consciência do poder que pode levantar um mundo ou deixá-lo reduzido a ruínas. É preciso ter ingenuidade para se deixar levar por um sonho, mas é também preciso a força e a bravura de um batalhão para lutar por este sonho e correr os riscos necessários para alcançar a totalidade do jornalismo, que é o de oferecer aos cidadãos informações com credibilidade.

Seria conveniente repensarmos os pontos que movem o sistema informativo., pois a informação é um requisito indispensável. Para isso é preciso que os jornalistas construam a informação com base na liberdade e na humanidade, não esquecendo de que são  formadores de opinião e responsáveis pelos rumos de uma nação.

Temos que ressaltar que o jornalista para desempenhar bem a sua função tem que ter uma certa dose de psicologia, pois precisa desenvolver técnicas de transmitir a informação com credibilidade imprimindo sempre uma conotação emocional.

Samuel Wainer tinha no sangue o ímpeto de cruzar fronteira e buscar  a notícia onde ela estivesse. Isso era o seu diferencial entre os outros profissionais da área, despertando muitas vezes a inveja.

Com sua conduta moral, superou suas próprias expectativas, contribuiu com um jornalismo mais coerente e não deixou de lutar por seus ideais com  muito trabalho e competência acima de tudo, fazendo  assim um jornalismo de qualidade e bom gosto.

O livro de Samuel Wainer  é de informe intenso pois relata desde sua vida pessoal até os fatos de política envolvendo personalidades de grande importância para a nação. Através do livro podemos observar e avaliar criticamente o comportamento de jornalistas, autoridades, e do povo diante dos fatos. Ajuda-nos  refletir sobre a profissão e em como sermos profissionais eficazes, sempre cumpridores do dever de informar sem esquecermos que somos formadores de opinião.

 

Jornalista: Agnaldo Moreira

 

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